A garota andava pela sombra, para evitar o sol forte que castigava as ruas da cidade. Mais alguns metros e chegaria ao ponto de ônibus para voltar para o pequeno apartamento perto da faculdade.
Colocou as mãos no bolso da calça jeans surrada e contou as moedas. A quantia exata para uma viagem de ônibus, o que precisava.
Mas, também era a quantidade exata para jogar na loteria. Enquanto esperava o semáforo passar para o vermelho, observou a lotérica: "MEGA SENA ACUMULOU!" era o que dizia. Uma quantia de dez milhões estava em jogo.
Ela olhou para as moedas em sua mão e ponderou sobre suas possibilidades: voltar para o pequeno apartamento e estudar com dinheiro escasso, ou apostar sua sorte. Ela não via o que podia dar errado. O sinal abriu enquanto ela estava lá dentro, marcando números aleatórios.
Ao deixar a lotérica, ficou encarando o bilhete. Suas últimas moedas foram gastas ali, portanto teria que arranjar alguma carona. Ou talvez arriscasse ir de a pé, passaria 20 minutos caminhando e pensando nas possibilidades que teria com o prêmio.
Enquanto andava, foi surpreendida por uma brisa. Com aquele calor, ela até teria aproveitado, se esta brisa não tivesse arrancado o bilhete de suas mãos e levado para longe.
-Tá de brincadeira né? - Criticou a ironia que lhe ocorrera. Ela tentou correr, mas foi inútil. O bilhete estava inalcançável.
Ela suspirou e todas as suas esperanças saíram com o ar de seus pulmões.
O jeito foi continuar andando. Enquanto o fazia, prestava atenção em seus pés. Ela definitivamente precisava de tênis novos. Foi quando esbarrou em alguém.
No primeiro momento, estava desnorteada, mas ao olhar para cima. A vista que teve compensou as desgraças que haviam lhe acontecido. Era o homem mais lindo que ela já vira.
Ele se afastou, pediu desculpas e estendeu um papel:
-Acho que isso é seu. - O papel era o seu bilhete. Enquanto ele se afastava, ela reparou em algo escrito atrás. Um número de telefone com um nome "Alexandre".
-Mas como... - Ela dirigiu-se a ele. Ele parou de andar e virou-se para trás. Um sorriso sedutor e uma piscadela foi o que ela recebeu. Aquilo, definitivamente, havia a pego desprevenida. Ela andou e sentiu que sua vida começava a mudar.
Uma semana depois, ela estava com o tempo livre nas aulas da faculdade. Resolveu ir até o laboratório de informática. Aquele era o dia do resultado do sorteio.
Demorou mais ou menos dez minutos para que a página carregasse por completo. E ela mal podia acreditar que seus números aleatórios haviam funcionado. Estavam todos lá, provando que ela havia pego o prêmio máximo. Ela conferiu uma, duas, três, dez vezes para ter certeza. Isso significava que finalmente realizaria seu sonho de abrir uma confeitaria.
Enquanto saltitava até o apartamento, olhou novamente o número de telefone na parte de trás do bilhete. Antes de buscar o prêmio, ela iria fazer uma ligação.
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